201605.09

Sabe esse pessoal tranquilão, totalmente relax, que não esquenta a cabeça com nada e leva uma vida maaaaaansa feito um pardal? Esse pessoal que aparta as brigas, da turma do “deixa disso”, que tá sempre apaziguando e nunca confrontando? Essa gente que consegue entrar numa discussão e tomar partido dos dois lados mesmo quando a guerra é sobre política – e ainda fazer os dois lados concordarem? Sou eu. Zezão, filho de dona Neuzinha. Até eu tenho que reconhecer que eu sou sossegado como ninguém mais!

Só que o que o pessoal não sabe é que gente assim, como eu, não é taaaão tranquilo por dentro quanto parece. A gente não deixa transparecer, mas fica guardando, represando muita coisa ruim e não coloca para fora nem sob ameaça. Aí, das duas uma: ou a gente explode e carrega a zaga toda junto como a gente (sme contar as paredes da casa) ou a gente entra em depressão. Eu entrei. Rapaz, que coisa horrorosa. E foi daquela clássica, que a gente não tem vontade nem de acordar, quanto menos de sair do quarto. Meus pais tiveram que chamar um psiquiatra lá em casa para eu me tratar, porque no consultório eu não iria de jeito nenhum. Depois de muita, mas muita insistência mesmo, aceitei tomar uma medicação que ele passou. Foi suficiente para eu pelo menos sair do quarto e socializar um pouco com a família, mas no mais… nenhum avanço. Até que um amigão, um parceiro de alma mesmo, me chamou para ir com ele passar uns dias na praia de Maresias, na casa do irmão dele. Eu não estava nem um pouco a fim de praia, de passeio, de nada, mas ele teimou tanto que cedi só para ele parar de falar. Isso foi numa terça de tarde; saímos de viagem na quinta de manhã.

Chega logo, chega logo…

Uma coisa que eu não sabia é que nem meu gosto por viajar ia sobreviver à deprê terrível na qual eu me afogava. Maresias ficava a três horas de distância, mas parecia que eu estava na estrada há dias! Como não tomo remédio para enjoo nem costumo dormir em viagens, vi ela inteira passar pelos vidros. Foi terrível. As pernas queriam me fazer pular do carro e voltar correndo para casa.

Mas finalmente chegamos, depois de um esforço gigante por parte desse meu amigo para me acalmar e me convencer a não pular pela janela! Finalmente avistamos a praia de Maresias, linda como costuma ser. Estava quente, então havia muitas pessoas por lá, inclusive famílias – provavelmente curtindo férias fora de época, já que estávamos em abril. Ou então era feriado na cidade de origem delas, vai saber…

Assim que chegamos na casa do irmão do meu amigo, fizemos um lanche especialíssimo feito por ele – é formado em Gastronomia, então imagine a fineza da coisa! Só usou coisas simples, como pão de fôrma, patês incrementados, sucos muito refrescantes e energizante. Foi uma experiência! Eu comi até passar vergonha, mas ele tinha feito MUITO lanche por minha causa (minha fama me precede), então não faltou para ninguém. Eles foram dar uma dormidinha de almoço, eu fiquei na janela do apê olhando pro mar. Já sentia um início de recuperação.

Salmoura para tirar a uruca

De tarde, finalmente fomos enfiar o pé na areia e molhar o traseiro na água salgada. “É bom para tirar a uruca!!”, gritava meu amigo às gargalhadas, a três ondas de distância de mim. Gosto disso nele, mesmo comigo triste e deprimido, ele não me economiza! Melhor coisa! Pega no pé como se eu é que tivesse começado a gozação.

Foi a tarde toda alternando entre o mar e a tenda, onde recarregávamos as baterias com umas porções muito gostosas (e o irmão dele reclamando, criticando a execução do prato).

Voltamos de lá no domingo de manhã, e eu já me sentia outra pessoa, mesmo tendo passado tão pouco tempo. Claro que não dava para dizer que estava curado da depressão, porque não é assim que a coisa funciona, mas, olha… ajudou muito. Saudade da bela e curativa praia de Maresias!